Thursday, June 09, 2011

MARCAS E ICONES





O célebre David Ogilvy separou muito bem a publicidade que leva à construção de uma marca, daquela que simplesmente vende produtos. Além dele, outros renomes como Claude Hopkins, Rosser Reeeves, Leo Burnett, Bill Bernbach, Jack Trout e Al Ries deram uma forte e importante contribuição à estrutura de criação e pensamentos sobre marcas.

Na sociedade moderna, as pessoas se afastaram da vida espiritual, e isso criou os que muitos chamam de vazio existencial. Esse espaço passou a ser preenchido, em parte, pelas marcas publicitárias, que funcionam como referências temporárias para as pessoas se orientarem no dia-a-dia. Desta forma, cada marca procura traduzir e sinalizar um certo significado para os os seus consumidores. A Coca Cola é a jovialidade, a alegria. A Harley Davidson é uma tradução da liberdade. A Nike nos torna competitivos e vencedores. Qualquer pessoa dentro de um Audi é bem-sucedida. Toda marca de produto visa divulgar uma crença, razões conscientes ou não para se fazer uma opção ou de escolha.



Nesta tendência do mercado para a semelhança de produtos e preços, devido aos avanços da tecnologia, as marcas são muitas vezes elementos decisivos na hora da escolha. A publicidade orientada para a marca,parte do conceito de que ela é a combinação de todas as percepções que o consumidor tem de um produto ou serviço. Nessa perspectiva, a percepção se dá pelos nossos sentidos,e, dentro dessas percepções está a visual, através do design gráfico e de produto. Nestes tempos de comodização de produtos, o design tem cumprido um papel diferenciador para a marca. Velhos e conhecidos objetos são comprados de novo, apenas porque foram redesenhados. Na verdade, apenas muda-se o significado do objeto, dando ao consumidor um novo sentido para à sua compra. Um design certo, para a pessoa certa, cria para o produto um valor emocional que supera a discussão simplificada do preço, agregando-lhe valor.



Este vínculo precisa ser planejado para somar e agregar novos atributos e benefícios. A imagem conceitual, muito explorada na publicidade, no marketing e na propaganda política, é uma descrição verbal do que as pessoas acham de determinado produto, serviço, lugar, pessoa, e uma infinidade de outras formas. A verbalização só é possível a partir da representação visual, de uma imagem, do que queremos expressar em na nossa mente. Daí o nome.Normalmente, somos inconscientes dessas etapas, e as pesquisas atuam geralmente no plano das palavras.Dizemos que as pessoas têm uma boa ou má imagem, associando a ela os fatores negativos ou positivos. As imagens conceituais podem mudar de tempos em tempos.Freqüentemente, vemos campanhas de publicidade ou propaganda política procurando estabelecer uma avaliação positiva. As imagens gráficas desempenham um papel de peso na concepção da "imagem conceitual".



A embalagem, outro exemplo de expressão visual, além de cumprir as funções de transporte e acomodação, tem a finalidade de valorizar a marca. Sendo ela um objeto de design, agrega conceito e informações importantes para o produto e a marca. O seu planejamento considera também a forma, cor, tipologia, ilustrações, fotos e atmosfera. Esses elementos são projetados individualmente , e, em termos de conjunto gráfico, estando o seu resultado intimamente ligado ao estilo da marca. Muitas marcas usam a própria forma da embalagem como ícone,como o casos da Coca Cola, Absolut, Perrier, Chanel 5,entre outras. No mercado brasileiro, encontramos algumas marcas o bombom Sonho de Valsa, as caixas dos bombons Garoto, e da Maizena, a lata do Leite Moça e a embalagem do requeijão Catupiry. A embalagem do Requeijão Catupiry foi criada em 1911, por Mário Silvestrine. A sua embalagem é um elemento de simplificação da marca que imprime forte lembrança, constituindo um ícone da publicidade brasileira, apesar do pouco volume de mídia investido.



A exploração da forma é uma outra ferramenta importante na construção da imagem de marca. A garrafa da Coca-Cola é a mais bem-sucedida “forma” da publicidade mundial. A silhueta de sua garrafa clássica pode ser reconhecida facilmente em diferentes países e culturas. A sua silhueta, simplifica várias expressões da marca em um único elemento. A embalagem clássica da Coca Cola, explorada como expressão de marca, foi desenvolvida no século passado, mas, muito explorada publicitariamente no ano passado. A garrafa da água Perrier, e a embalagem do Chanel 5 também podem ser classificadas como "expressões de forma", pois têm uma simplificação e reconhecimento de marca bastante concentrados em sua silhueta. Nos últimos anos, uma bem-sucedida estratégia de comunicação focada na forma é a da Vodca Absolut. De uma maneira inédita, a estética do produto predominou sobre os atributos da bebida. A comunicação da marca, dando importância à forma, começou em 1987, com as campanhas publicitárias mostrando o shape da garrafa em várias situações inusitadas.



Grandes formas também são exploradas publicitariamente como ícones, como é o caso do prédio da Chrysler, em New York, ou do prédio do Banespa em São Paulo, construído em 1947,falando apenas de empresas privadas. No campo da iconografia urbana, dezenas de outros exemplos podem ser citados, passando por monumentos, grandes e pequenas construções. Alguns ícones arquitetônicos atravessam séculos, como o famoso colosso de Rhodes, visto apenas por poucas gerações no passado. Os designers têm investido muito na elaboração de formas e significados capazes de agregar diferencial à marca. Do ponto de vista publicitário, o grande gol que pode conquistar o design de um produto é torná-lo uma simplificação de marca.



O personagem é uma outra forma gráfica poderosa para a construção das marcas. Centenas deles foram construídos e deixados para a trás, nos últimos anos. Uma das vantagens de um personagem , é que ele pode explicitar algum traço humano importante da marca. Confiabilidade, simpatia, segurança, serenidade, modernidade e outros tantos traços de personalidade da marca são facilmente explicitados através deles. Nas formas de desenho ou de figuras humanas, os personagens explicitam valores e diferenciais.

O célebre personagem do Bom Bril, um dos mais famosos casos da publicidade brasileira, criado em 1978, e hoje com quase 30 anos,foi idealizado criado para ser um interlocutor da marca com as consumidoras. É como se a marca conversasse com elas e existisse na forma de uma pessoa. Outro personagem importante é o Homenzinho Azul, dos Cotonetes Jonhson, criado em 1977, para estimular o consumo adulto do produto. O personagem transmite a imagem de auto-satisfação, bem-estar descompromissado e grande vitalidade. O simpático personagem faz parte da cultura publicitária brasileira. Os personagens precisam também de atualizações ao longo do tempo. Os Palitos Gina, por exemplo,mudaram o corte de cabelo da sua personagem para torná-la mais jovem, assim como o Bibendum, o boneco simpático dos pneus Michelin, passou por algumas atualizações ao longo dos anos. A marca chegou ao Brasil em 1927, mas o personagem foi criado na França em 1898, pelo desenhista francês O’Gallop, e ao longo deste tempo passou por vários redesenhos a fim de manter-se atualizado.

Wednesday, May 12, 2010

A SEPARAÇÃO DOS CLIENTES DO BANCO DO BRASIL

Agora tem jardim, mobiliário novo e moderno, novas cores, no coração do Moinhos de Porto Alegre, porta de segurança discreta e tratamento especial.
Tem e tem mais: uma submarca no seu portfólio: Estilo. Azul, na mesma tipologia da marca mãe. A
sub-marca do Banco do Brasil foi criada para separar simbolicamente os clientes com maior poder aquisitivo,ou investidores como fez também o Itau e Bradesco, dentre outros. Fez também a Artefacto, conhecida marca de móveis do segmento A, criando a loja e Linha Basic para a classe B. Essas e outras marcas são alvo da reacomodação simbólica das classes de consumo no Brasil. As fábricas de Bento Gonçalves vão pelo mesmo caminho. 26% da Casa Cor é visitada por mulheres da classe B, espaço marcadamente A.
A Colombo Premium da Colombo. A, B e C agora voam no mesmo avião, sentam no mesmo apertado espaço, mas, entram primeiro, ganham mais milhas e tem salas VIPs. As companhias estudam a volta da classe executiva para vôos nacionais? Talvez esse seja o próximo passo nessa escalada de valores e posses das classes ABC.
Essa separação simbólica dos clientes precisa estar sustentada pela base física da marca, identidade, personalidade e outras dimensões para produzir na percepção do consumidor uma real sensação desses valores. Alinhados puxa a cotação mercantil da marca para cima e desalinhados para baixo. Quanto mais coerente uma marca, maior o seu valor de mercado.

Monday, May 10, 2010

MARTE, A LUA DO PRESIDENTE OBAMA


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O presidente Kennedy, na década de 60 planejou e realizou grande desafio de colocar os Estados Unidos na frente da União Soviética na corrida espacial: colocar um homem na Lua até o final daquela década. Para Kraus Fog, Cristian Butz e Baris Yakaboylu, consultores americanos e autores do livro Storytelling, um planejamento de marketing por ser escrito como uma história de ficção, pois reune os mesmos elementos tos de uma trama: Benfeitor, no caso o ex-presidente Kennedy; o goal - a conquista da Lua, e os beneficiários, o povo americano. E a NASA? A heroína onde ficou? De quem era o plano?
Era de todos, uma característica de uma ação política e de mercado bem costurada. O presidente Obama quer colocar um americano na órbita de Marte. Só que em vez de dez anos deverá ocorrer o gol em 25 anos. 2035. O que ele espera em termos de curto prazo nessa estratégia política? O plano tático deverá tirar muitos dividendos, agora, para a sua imagem. História a gente só fica sabendo no final, mesmo pensado o fim antes.

Sunday, May 09, 2010

A RODA, O FOGO E A PESQUISA

A pesquisa, como conhecemos desde a segunda geração do marketing, está sendo substituída e ou conjugada
por novas técnica, advinda do mundo digital.
Estamos falando de caçadores de tendendência, coolhunter, uncoolhunter, pesquisadores
de redes sociais, caçadores de Retrô, observadores de tribos sociais, moradores temporários na casa de consumidores e lá vem mais. No planejamento, a pesquisa, independente da sua forma, vem diminuindo o seu peso como fator decisório e passando a fazer parte de um conjunto de informações estratégicas das empresas.



Os filmes da pesquisa da Roda e do Fogo, clássicos do estudo qualitativo), ilustram como metáfora da Idade da Pedra, o quanto a pesquisa pode influenciar errado numa decisão estratégica, se não desconsideramos
o seu complexo cenário. O que seria do mundo sem a roda e o fogo?



O mercado de pesquisas estava estruturado nos modelos quantitativo e qualitativo e, agora, nascem empresas com novas metodologias de pesquisa, variando e ou inovando os modelos clássicos. Começ-se a repensar a pesquisa, tendo em vista a mobilidade, individualidade e, principalmente os novos hábitos de vida dos consumidores. às novas demandas e técnicas em todo o segmento.

Monday, November 24, 2008

O SOM COMO A ALMA DE UMA MARCA.

Se existe um instrumento utilizado pela publicidade ainda pouco estudado é o som. No entanto, esse é um
dos pilares da comunicação publicitária e ótima alternativa para a construção de um ícone. David Olgivy
disse: “Quando você não tiver nada de importante para dizer, diga cantando”. Ou seja, faça uma música.
Associe um texto a um som. Um cérebro é capaz de distinguir 400 mil sinais sonoros diferentes, e criar um som publicitariamente reconhecível é uma tarefa extremamente criativa. Como ícone de marca, o som necessita muito de continuidade e freqüência em sua exposição.



O famoso Plim Plim da Rede Globo de televisão é um dos mais conhecidos ícones da propaganda brasileira e já atravessa décadas. Um dos fundamentos para a sua consagração é a continuidade.



Há cases muito marcantes internacionalmente, o barulho do motor da Harley Davidson, o barulho do
motor do Fusca e o inconfundível prefixo da FOX Filmes. Estes sons foram idealizados para que fossem
sempre associados a imagens, a sua maior propriedade. Associando-se a um texto, podemos lembrar
do memorável “Varig!, Varig!, Varig!”, utilizado como assinatura musical, outra importante propriedade de uma marca forte.

A COR COMO ÍCONE DE MARCA



No mercado brasileiro, a Souza Cruz utiliza, desde 1994, a composição vermelho-branco na construção de um ícone para os cigarros Carlton. Esta é uma das mais bonitas campanhas de publicidade feitas para cigarro no Brasil. O trabalho iniciado pela agência DPZ – Duailibi, Petit e Zaragoza –, que tem a conta há mais de duas decadas, teve a determinação da “continuidade”, associando o vermelho à marca Carlton. Dentro dos planos de construção desse ícone, passa também a idéia de se ligar o cigarro à arte, à estética. Diante da pressão contra a publicidade de cigarros, o caminho da criação do ícone “vermelho-branco” pode ajudar muito na sobrevivência da marca.



O vermelho, cor recomendada para cigarro, valoriza ainda um outro elemento da embalagem: o símbolo, a gravatinha. A associação do símbolo com a cor vermelha possibilita a inclusão de novas cores na comunicação. É o caso do azul e do cinza, derivativos do vermelho não na escala de cores, mas no campo conceitual. Estas duas novas cores estão colorindo o símbolo em diferentes embalagens. O cigarro Carlton certamente é conhecido pelas cores vermelho-branco e pelo seu símbolo, sem dúvida uma combinação muito bem elaborada.